| Programa Personalizado de Leitura de Textos Filosóficos (local: Espaço Ética) |
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Talvez você já tenha se interessado por um clássico da filosofia. Alguma palestra, aula ou conversa o motivou. Comprado o livro, você começa a leitura. A frustração é possível. Até provável. Afinal, o texto discrepa de tudo que você já leu. A atribuição de sentido requer uma competência que você julga não ter. Essa dificuldade inicial pode significar o fim da aventura. A conclusão de que filosofia é só para alguns poucos, afeitos a abstrações. Essa constatação, recorrente mesmo entre iniciados, levou-me a desenvolver um programa de treinamento para a leitura de textos clássicos. Programa individualizado, porque os apetites de leitura são singulares. Porque repertórios e suas lacunas são vítimas de existências e trajetórias únicas. Uma conversa prévia permite identificar as inclinações do momento. A sugestão para os primeiros contatos é o estudo das paixões. Questão de proximidade evidente com a vida. Se há sofrimento, refletir sobre o conceito filosófico de temor, de tristeza e melancolia. Mas de alegria e esperança também. Afinal, o mundo que encontramos, percebemos ou apenas imaginamos, pode nos animar. Lucrécio, Espinosa, Hume e outros oferecem contribuições imperdíveis. Nos encontros, o que menos importa é avançar rápido, cumprir um programa. O data show projeta um parágrafo. O labirinto da página se agiganta na tela. Clareza visual, condição do enfrentamento pelo sentido. A sua interpretação inicial, se houver alguma, é digitada. A primeira frase do texto estudado é isolada. Conversamos a respeito dela. Vasculhamos alguma idéia que, supomos, tenha a ver. Experiências e relatos são bem vindos. O mesmo procedimento é adotado para as frases seguintes. Tentamos relacioná-las com as anteriores. Quando todas as frases tiverem sido discutidas, a interpretação inicial do texto é relida. E, se for o caso, reformulada. No final do encontro, você leva tudo que está na tela. O texto e o que foi dito sobre ele. Por e-mail ou impresso. Resultado inédito de uma produção filosófica daquele momento. Ao longo das aulas, as reflexões já propostas são resgatadas e servem de suporte para novas interpretações. Os textos fazem lembrar, cada vez mais facilmente, as idéias já discutidas. Você começa a tomar a iniciativa de propor links. De ler novos textos. Por conta própria. De interpretar flagrantes de mundo, da própria existência, segundo novos referenciais. O labirinto vai recebendo indicações de direção. E, aos poucos, você vai pensando diferente. Só isso. Diferente. Professor: Clóvis de Barros Filho (USP/Espaço Ética) | ||
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