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Golpes Perversos: Como detectar? Como se proteger? - Arthur Meucci
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Palestrante: Arthur Meucci (USP / Espaço Ética)


Desde os primeiros registros civilizatórios sobre a reflexão da conduta humana, registrados nos textos legais, morais e religiosos, nos deparamos com descrições de pessoas que sentem necessidade ou prazer em infringir as leis e costumes. Pessoas egoístas capazes de trazer dor e sofrimento a outros no intuito de conseguirem o que querem ou pior, pela própria satisfação em contemplar a tristeza e o desespero do outro.

Todos os homens, em algum momento da vida, cometem deslizes. Burlam regras ou leis para tirar um proveito mínimo. Algumas poucas vezes já fizeram outras pessoas sofrerem sem necessidade. O desejo de burlar as regras sociais e de usar do outro para tirar vantagens sempre existirá. Faz parte da condição humana. Mas este sentimento não aparece sem trazer muita vergonha, remorso e culpa. Na nossa educação moral e no desenvolvimento sadio do aparelho psíquico aprendemos a nos colocar no lugar do outro, levar em conta suas necessidades e sentimentos, além de ter consciência da importância dos limites morais e legais.

Porém, há pessoas que não sentem culpa ou remorso em praticar atos considerados proibidos. Em fazer o que querem sem levar em consideração as demais pessoas ao seu redor. Muitas vezes seduzem suas vítimas, utilizam de seus sentimentos de amor, compaixão e culpa como mecanismo de manipulação. Vários são seus métodos e objetivos. Conseguir favores de um chefe seduzido, cúmplices para encobrir seus problemas de conduta, criar intrigas entre colegas para tirar benefícios, planejar estratégias para utilizar indevidamente patrimônios da empresa ou mesmo montar situações que possam criar constrangimentos para o empregador com vistas a extorsão.

Estas pessoas, entendidas pela psicanálise como perversas, tem um funcionamento psíquico e uma lógica moral incomum em comparação com a grande parte das pessoas. Apesar de seus atos maldosos, elas parecem pessoas comuns. Pouco suspeitas. Muitas vezes são admiradas pelo seu grupo social. Podemos encontrá-las em diversos setores de uma empresa, nas igrejas, escolas e trabalhando com projetos sociais. Pessoas que aparentam ser muito boas, acima de qualquer suspeita.

É possível identificar estas pessoas? Eis uma tarefa muito difícil para pessoas comuns, mas não impossível. Aprender a desconfiar de prováveis perversos já é o suficiente para se proteger de possíveis ameaças. Além disso, algumas atitudes em relação aos relacionamentos pessoais e profissionais podem evitar muitos problemas. Todas estas questões serão abordadas em palestra.
 

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