Vingança e as faces da moral
Palestrante: Arthur Meucci (USP / Espaço Ética)
Entre os mais importantes temas filosóficos que nos ajudam a pensar a boa vida e nossa conduta moral está a vingança. Um tema que nesta palestra será tratado segundo a ótica da filosofia moral clássica, da filosofia teológica e da psicanálise. As três perspectivas ocidentais mais importantes para se entender o mundo. A vingança, junto com outras tristezas existenciais como o luto, o medo, a inveja, a raiva entre outras mazelas se colocam como questões fundamentais sobre como devemos viver. Assuntos pouco motivacionais em um primeiro instante, porém eficientes na busca pelo prazer de viver bem.
Há muitas propostas e discussões na filosofia sobre a vingança. Selecionamos cinco teorias que pensam a vingança sob a ótica de uma concepção da ética e da felicidade. Conceitos como moral, justiça, tranquilidade, natureza, ira, fé, perdão, culpa, perversão e transtornos de conduta são centrais em nossas discussões. Temas que cada vez mais são solicitados em palestras e consultorias em Recursos Humanos. Convidativos para se pensar o cotidiano familiar, empresarial e educacional.
E para ilustrar as teorias de forma atraente e divertida começaremos com a famosa história de Jabhal e Leydianni.
A história de Jabhal e Leydianni
Embalado nos enredos de sucesso dramático não hollywoodyanos apresentamos uma história fictícia mas muito ilustrativa. Jabhal Matsubara, típico morador da Mooca, conheceu uma jovem, Leydianni Jabirosca, nas aulas de ética em uma universidade paulistana. Dividiam mesa. Eles passaram a trocar olhares, sorrisos, gracejos. Ao relatarem sobre suas vidas Leydianni se disse noiva, para tristeza de nosso herói. Ele desiste de estreitar relações, porém, aos poucos, ela se aproxima dele com segundas intenções. Pedia ajuda em seus trabalhos acadêmicos. Fazia sinal para passar cola, trabalhos, entre outras coisas. Disse que estava com dificuldades para estudar por causa de seu noivo, relatado como uma criança mimada e egoísta. Isso gerou um misto de constrangimento e compaixão no rapaz.
Dia após dia Leydianni o excitava de diversas formas e ele, que não fazia muita questão de resistir, se aproveitava. Entrou no jogo da sedução. Quando Jabhal, preocupado, questionava sobre seu comportamento ela pedia desculpas e dizia estar insegura como mulher por causa de seu relacionamento. Para se justificar contou que sua futura sogra sai do interior de Salto para limpar a casa do seu noivo e a condena pela falta de higiene do lugar. A mãe dele fazia questão de comprar e fiscalizar coisas simples, como a água que eles bebem, por exemplo. Sem falar na apologia que ela fazia da ex-namorada. Ao reclamar com o noivo sobre tal atitude, ele acabava se mostrando indiferente. Mostrava-se preocupado somente em se produzir para o trabalho.
No meio do semestre ela aparecia chorando. Deitava-se no colo de Jabhal e relatava os conflitos com seu parceiro. Ela dizia que em suas noites sofria com a frigidez sexual do noivo, que não a satisfazia. Muitas vezes ela dizia que era obrigada a fingir para evitar brigas. Ele rotineiramente, após seus fracassos, fugia da cama e corria para entrar na internet no intuito de conversar com outras mulheres pela madrugada. Parecendo um poço infindável de sofrimento familiar, emocional e sexual, a moça continuou contando outras histórias e o seduzindo durante o semestre.
Jabhal se desesperava com os relatos de Leydianni. Ofereceu-se para ajudá-la. Ela disse que queria se entregar ao nosso herói, mas que estava com medo de seu noivo e não sabia das reais intenções do rapaz. Por isso, ela pediu uma prova de amor antes de se entregar. Uma confissão pública de afeto e trinta mil reais para pagar as dívidas deixadas pelo noivo em seu nome. Jabhal, movido por um misto de amor, culpa e compaixão, ofereceu tudo o que ela pedia. Eles se beijaram, se abraçaram e se manipularam calorosamente, como já era de costume.
Porém, depois daquele dia do dinheiro, ela desapareceu. Jabhal, preocupado com seu paradeiro, tenta solicitar informações na universidade para encontrá-la. Inocente, imaginou que o noivo tinha descoberto as reais intenções dela e a castigou. Quando ele se apresentou na universidade os seguranças da instituição o repreenderam. Leydianni, neste entretempo, fez reclamações na diretoria da faculdade contra as “perseguições” que o nosso herói estaria realizando. Disse que se sentia ameaçada, que iria trocar de universidade e proibiu a instituição de passar seus dados pessoais. Por sorte, um amigo de Jabhal, que trabalhava na secretaria, conseguiu o endereço dos pais dela na capital paulistana.
Jabhal deveria ir atrás de Leydianni e se vingar? Buscá-la a força, custe o que custar, para reaver o dinheiro e limpar seu nome e sua honra na universidade?
Eis aqui o mote para o debate que propomos nesta palestra.